Caçadores de Felicidade

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Quando se trata de abraçar a felicidade o termo solidão é antagônico. Ninguém sabe o que fazer com a felicidade quando se está só. Já disse um viajante americano: “A felicidade só é real quando partilhada”. O que é a felicidade, então?

É a vida, uma virtude, uma teoria ou contemplação? Poderia ser atividade humana guiada pela razão, que não se realiza de forma acidental, mas mediante a aquisição de valores virtuosos no agir constante. A felicidade, alavancada pela virtude, exige condições que não se bastam sozinhas, para serem realizadas, como a liberdade por exemplo. Então, por que o ser humano não é um caçador de virtudes? Por quê?

Não seria errado afirmar que a existência é boa para o homem virtuoso, e ele, se considerando como tal, também deseja para si e para o outro o que é bom.

Se cada um deseja para si o que é bom, não sendo suficiente, infelizmente deseja possuir todas as coisas do mundo com a condição de continuar sendo quem é. Na essência, o ser humano luta contra o desejo pessoal de viver em harmonia consigo mesmo, marcado pela recordação de seus atos passados e das suas esperanças para o futuro, que são boas, e, portanto, torna-se um caçador do “passarinho que está a pousar no seu dedo; mas que pode voar a qualquer momento”…

Esse passarinho é apreciado com razão e sensibilidade, mas não pode ser aprisionado. O seu caçador tendo consciência de si, de suas fragilidades e de suas forças partilha as suas virtudes mais valorosas, por isso beija o sagrado. Mas quem tem a consciência de si, por vezes, esconde suas fragilidades e confunde suas forças. Torna-se um ser perdido e solitário, que confunde o sentido de sua existência com devaneios. Não caça nada.

De fato, a felicidade é racional, no entanto, não se explica; vive-se. Esqueceu-se de dizer isso aos racionalistas do ocidente que enrugaram a contemplação, reduziram o mistério e expurgaram o sagrado… Sorte que os poetas guardaram para si estas armas poderosas de caça.

Quando caçamos esse passarinho, contemplamos a beleza do jardim, até que ao nosso dedo pouse o pássaro novamente. Sendo obra do Criador, somos também parte do Jardim… Como diz Rubem Alves: “Acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, Jardim seria a palavra que eu diria”.

Talvez pudéssemos trocar o verbo caçar por perseguir, mas não seríamos felizes sem o desafio da paixão. Afinal, quem é apaixonado caça mais do que persegue. Então, quando pensar em felicidade, cace! Mas, cuidado, ao encontrá-la partilhe logo com os outros também, e lembre-se que o pássaro pode voar do seu dedo a qualquer momento…

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