No caminho e não no pódio

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Diante do pensamento complexo, em que o ser humano é visto como um todo, podemos lembrar da ideia de Edgar Morin de que o Homo Sapiens-Sapiens também é Homo Sapiens-Demens. É sábio, mas louco também.

Mas sem dúvida nesses dias que detectamos a mais pura expressão do que podemos conhecer como Homo Sapiens-Ludens… O “Homem Lúdico” faz nesse tempo de competições globalizadas, seu sentimento de competição e disputa aflorar na alma.

Parece que voltamos a ter aquele “sentimento” de quando corríamos de bicicleta e disputávamos uma partida de xadrez ou de “palitinho”…

Certamente, o Ludens não só criou o jogo, a brincadeira, mas também a guerra. Isso faz de alguns, vencedores, e de outros, perdedores. Afinal, essa é uma das marcas da humanidade: A disputa.

Entretanto, o que faz de alguém um vencedor e de outro não?

Tenho a absoluta certeza que o Barão de Coubertin estava errado quando dizia: “O mais importante é competir…”. Na verdade, ninguém entra em uma disputa para perder. Entra-se em uma competição para ganhar, seja qual for ela. Mais do que em outras épocas, e em tempos de Coubertin, perder é sinônimo de fracasso; de incompetência. A dinâmica social moderna procura e exige pelo vencedor, valoriza a ousadia, estimula o risco, e o ímpeto.

O medo do fracasso, da derrota, está no fato de que queremos ter o controle de tudo, do outro e dos resultados…

Mas ser um vencedor é sinônimo de ser um corajoso? O que não parece ser uma verdade, é que a coragem, que pode servir para tudo, tanto para o bem como para o mal, não quer apontar necessariamente para a “Vitória”. Nem sempre aquele que vence é o que possui tal virtude.

Essa virtude parece estar na fundação dos nossos objetivos. Enfrentar os riscos de se atingir um objetivo maior. É enfrentar o medo, é tomar decisões e é: agir. Ter coragem não é viver sem medo, nem ser impetuoso diante das adversidades, mas é arriscar-se por uma causa maior ou mesmo tomar a decisão de preservar.

A simplicidade do corajoso está no limiar entre a ousadia e a prudência. Jesus disse certa vez: “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10:16). Talvez, estivesse dizendo, para sermos corajosos!

O medo do fracasso e da derrota está no fato de que, queremos ter o controle de tudo, do outro e dos resultados… Isso faz com que o sentimento de culpa ganhe um novo sentido. Pois, aprendemos que não temos o controle total do nosso sucesso.

Quando nos damos conta de que no jogo da vida, em meio às exigências de superar as nossas fragilidades, em face à competitividade, descobrimos que as oportunidades não são iguais para todos, aí, precisamos correr o risco inevitável da disputa.

No entanto, a verdadeira coragem está no fato de que podemos seguir em frente na corrida, apesar de todas as coisas, e na certeza de que o melhor pra nossa vida acontece agora… De fato, essa coragem nos faz compreender que a felicidade está na corrida e não no pódio.

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