Inteligência ESPIRITUAL – Você e sua Empresa ainda acham que estão fora disso?

Capital s

por Fábio Vasconcelos

A despeito do conceito de espiritualidade como uma inteligência humana, podemos observar a espiritualidade como uma das “múltiplas inteligências” de Gardner (1995), quando dize-se que:

“A inteligência espiritual é nossa inteligência moral, que nos dá a capacidade inata de distinguir o certo do errado. A inteligência com a qual exercitamos a bondade, a verdade, a beleza e a compaixão em nossa vida. Se preferir, é a inteligência da alma, desde que você pense em alma como a capacidade que os seres humanos têm de canalizar coisas extraordinárias das mais profundas e ricas dimensões da imaginação e do espírito para dentro de nossa vida diária, famílias, organizações e instituições”. (ZOHAR e MARSHALL, 2006, p.16).

Assim, com base nessa afirmação, as pessoas, organizações e culturas que possuem capital espiritual serão mais sustentáveis, porque terão desenvolvido qualidades que incluem uma ampliação da visão, ancorada em valores, preocupação e compaixão globais, pensamento estratégico, intuitividade e criatividade espontâneas, flexibilidade, ações a partir de convicções mais profundas, habilidade de partilhar, fazendo usos positivo das situações.

Nesse sentido, Zohar e Marshall (2002) assinalam três tipos de capital: material, social e espiritual. A acumulação de cada um deles está associada com uma das três mais importantes inteligências humanas: a inteligência lógico-racional (QI), a inteligência emocional (QE) e a inteligência espiritual (QS). Ilustra-se isso na figura.

Ao visar um capital sustentável, deve-se acumular os três tipos de capital – material, social e espiritual – usando as três inteligências. No entanto, seja qual for o capital, ele não funciona sem o capital espiritual como alicerce.

Diante da idéia de um CAPITAL SUSTENTÁVEL, precisa-se esclarecer se ele atende as aspirações humanas e a seus valores mais profundos. Ademais, é necessário saber se ele permitirá a sobrevivência das futuras gerações e de sustentar o empreendimento humano dentro de um contexto de questões vitais, tais como: Qual é o significado ou o propósito da vida humana?

Na psicologia positiva Maslow (1971), em sua hierarquia de necessidades deu voz de credito ao capitalismo com sua “pirâmide de necessidades”. Estabelecendo assim, um paradigma da condição humana que priorizava a necessidade de sobrevivência a qualquer custo. Acima desta necessidade, estava a segurança, em seguida a necessidade de vínculos sociais, ter auto-estima e, depois, o que ele chama de auto-atualização, ou seja, a necessidade mais elevada de crescimento espiritual e psicológico e de encontrar o sentido da existência.

Nos estudos de Herzberg (1966), sobre fatores motivacionais no trabalho e as causas de satisfação e insatisfação entre os colaboradores, parece contestar Maslow sobre suas necessidade básicas de satisfação. No parecer desse autor, o homem tem duas categorias básicas de necessidade independentes entre si, influindo de diferentes maneiras no seu comportamento, sendo essas:

  1. Quando se sente insatisfeito com seus afazeres, ele se preocupa com o seu ambiente de trabalho. É através deles que as organizações têm tradicionalmente motivam seus colaboradores. Dentro deste fator, incluem-se: condições de trabalho e conforto; políticas da organização e administração; relações com o supervisor; competência técnica do supervisor; salários; segurança no cargo; e relações com colegas.
  2. Quando se sente bem em seu trabalho, isso se reflete positivamente no trabalho propriamente dito, tendo melhorias aparentes do desempenho. Os meios mais práticos de proporcionar ou incentivar os a satisfação incluem: delegação de responsabilidade; liberdade de exercer discrição; promoção e oportunidades; uso pleno das habilidades pessoais; estabelecimento de objetivos e avaliação relacionada com eles; simplificação do cargo (pelo próprio ocupante); e ampliação ou enriquecimento do cargo (horizontal ou verticalmente).

Com isso, a qualidade positiva de encontrar SATISFAÇÃO NO TRABALHO, que gera a sensação de estar altamente motivado, depende de fatores como: crescimento, avanço, responsabilidade, o trabalho em si, reconhecimento e sentido de realização. Para esses fatores Maslow chamou de “necessidades mais elevadas”.

Em uma cultura “desenvolvida” como a nossa, a “pirâmide de Maslow” precisa ser invertida. A maioria dos indivíduos dos “ricos países” do mundo moderno ocidental tem suas necessidades básicas de alimentação e segurança atendidas desde o nascimento. Indivíduos que tiveram de se realizar tanto nas necessidades básicas quanto nas mais elevadas, afirmam que elas são as mais importantes, porque trazem felicidade e satisfação.

A respeito disso, Zohar e Marshall (2006) nos lembram que Abraham Maslow elaborou sua pirâmide há mais de cinquenta anos, e desde então, houve um grande avanço nos estudos da psicologia, antropologia e neurociência com o objetivo de entender melhor a natureza humana e as origens culturais.

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Assim, hoje, entende-se que a própria sobrevivência depende do sacrifício uns pelos outros, a auto-estima depende do auto-conhecimento e sentido existencial, pois sem ela a, sobrevivência (o instinto de viver e aceitar-se) fica prejudicada. Para tanto, (ZOHAR e MARSHALL, 2006, p.36), afirmam que:

“No final de sua vida, Abraham Maslow começou a sentir que sua pirâmide de necessidades devia ser invertida. A profunda crise de significado existencial – falta crença em qualquer coisa, baixos padrões de moralidade, egoísmo implacável e consequente diminuição da auto-estima, a ausência de propósito e valor, o tédio -, que caracterizou a vida do mundo ocidental desenvolvido no século XX, é prova de que as prioridades do capitalismo estão invertidas.

Você e sua empresa ainda acham que estão fora disso?

Mero engano…

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