Três imagens para seu Natal

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O que vemos nos Presépios natalinos? Alguns presépios retratam um cenário conforme a imagem de cada artista, bem como tantas vezes e em tantas outras formas – peças, poesias, livros e filmes. Porém, poderíamos passear mais um pouco sobre algumas imagens que certamente esteveram presentes naqueles momentos, há 2000 anos, e atentarmos ao que frequentemente não pensamos e muito menos refletimos sobre eles e sobre nós mesmos.

O cansaço da jornada. O cansaço que muitas vezes nós mesmos sentimos ao final de uma jornada se fazia presente no físico daquele casal de palestinos, pois, mesmo ao chegar na cidade bem antes da data do nascimento do bebê, que faria mais sentido, a jornada de Nazaré a Belém normalmente durava três dias de árdua caminhada. A Primeira imagem é o cansaço, que é vencido pelo casal e seu bebê…

A família que não acolhe. O famoso hospedeiro presente em algumas peças teatrais, que provavelmente nunca existiu, deixa-nos esquecer de que José era um belemita, e de que teria parentes ou familiares na pequena Belém Efratá. Parentes esses que também não os hospedaram em suas casas. Possivelmente, só chegaram a encontrar descanso num estábulo de animais, algo comum na parte inferior nas casas da época. Embora os hoteleiros sejam importantes personagens em muitas peças teatrais de Natal, é bem possível que Maria e José tenham na verdade se hospedado numa casa com parentes. Não em algum tipo de hotel dos tempos bíblicos, mas num tipo de acolhimento que não é o que esperamos de uma família acolhedora… A Segunda imagem é o acolhimento distante das pessoas mais próximas…

 Você está cansado de seguir em frente? Então lembre-se: não se chega a lugar nenhum trilhar uma jornada, uma distância.

O medo do extraordinário de Deus parece que margeia o ordinário do homem. Bíblia não diz especificamente que os anjos cantaram nos altos céus. Ela diz primeiro que um anjo apareceu e falou para algumas pessoas: “E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus” (Lucas 2:13). Nas descrições do profeta Ezequiel e do Apocalipse e em outras passagens bíblicas, os anjos são descritos de forma impressionantemente espantosa, diferente daquela imagem angelical barroca com anjos branquinhos e gordinhos. Diz no primeiro Capítulo do livro de Ezequiel: “E do meio dela saía à semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem; cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas. E as suas pernas eram retas; e as plantas dos seus pés como a planta do pé dum bezerro; e luziam como o brilho de bronze polido. E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e todos quatro tinham seus rostos e suas asas assim: Uniam-se as suas asas uma à outra; eles não se viravam quando andavam; cada qual andava para adiante de si…” .

Imaginemos então que, o que aqueles pastores viram com muito medo tornou-se uma grande benção… O extraordinário anunciava o ordinário. O nascimento de uma criança que viria dividir a historia em antes e depois de seu Natal. Talvez seja por isso que o Criador ainda apela para as extraordinárias imagens das coisas mais simples, que ficam à margem de nossos orgulhosos olhos… A terceira imagem é o grande valor do ordinário em meio ao extraordinário.

Você está cansado de seguir em frente? Então lembre-se: não se chega a lugar nenhum trilhar uma jornada, uma distância. Há sempre um lugar de saída e outro de chegada. O cansaço não deve ser um sinal de fraqueza e sim um indicador de que deve existir um propósito por trás de uma jornada, para não se gastar energia em vão…

Você não entende o valor de acolher e ser acolhido? Se ainda não, está faltando dar um passo importante para sua capacidade de realizar coisas. Nenhum líder, nenhum gestor, nenhum alpinista chega sozinho no lugar mais alto. Realizar coisas é a transformar teoria posta em prática. Aqueles que afirmam que conseguiram tudo sem ajuda e sozinhos, não chegaram aonde poderiam realmente chegar. “Junto” se chega mais longe. Saber acolher o outro é o começo de toda realização…

Você tem mais perspectiva sobre coisas extraordinárias que as ordinárias? Bem, parecemos ter mais sede do extraordinário, do inexplicável, do espantoso, do absurdo, do miraculoso, mas não reconhecemos o que de bom está sendo feito todos os dias no ordinário de nossas vidas. O simples, a vida com vida, as pequenas coisas, as conquistas diárias são as vitórias mais importantes de sua jornada. A celebração delas deve ser diária. E no olhar para o simples e não no fantástico que descansa o sentido de nossa existência.

Diante da riqueza simbólica do presépio natalino, podemos apontar, pelo menos, essas três imagens, as quais podem fazer uma grande e sensível diferença em nossas relações humanas. Pense nisso! Meus sinceros desejos a todos é que possamos vencer o cansaço da jornada, saber acolher de uma forma preciosa quem por vezes está ao nosso lado, e reconhecer que na ação ordinária da vida estão os maiores milagres que o Criador faz e fará em nós e através de nós…

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