Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel…

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José de Assis Valente teve como sua primeira composição de destaque o samba “Tem Francesa No Morro”, satirizando a “moda” de se falar francês nas altas rodas da sociedade carioca dos anos 30. Com uma brasilidade inquietante e popular, também conseguiu que Carmen Miranda gravasse “Good Bye Boy”, também satirizando a “moda” de se falar inglês. Quem é que não lembra do pedido do poeta para Tio Sam tocar pandeiro pro mundo sambar” em seu samba “Brasil pandeiro”? Canção essa que foi resgatada durante a Copa de 1994 pela mídia brasileira.

Entretanto, desde a década de 30 os brasileiros cantarolam uma das mais populares músicas do compositor, intitulada “Boas Festas”. Adequada ao “gênero natalino”, ela é incansavelmente repetida durante o mês de dezembro. É muito comum entrarmos nas lojas, nos shoppings, nas festas de confraternização e rapidamente acompanharmos os acordes de “Boas Festas” de Valente.

Por vezes, não nos damos conta da verdade e da tristeza desta música…

“Reconhecem que muitos, só são solidários no Natal para mascarar a falta de solidariedade durante todo o resto do ano. Conhecem no seu secreto, que o “Noel” de muitos é para poucos.”

Assis Valente foi um compositor que transformava as coisas que vivenciava, no dia-a-dia, em composições. Foi ele quem “pensava que todo mundo fosse filho de Papai Noel…”. De fato, a história desta música, dizem alguns “biógrafos”, é a de que Valente estava num quarto, solitário e com muita tristeza no coração, atordoado pela vida e pela distância de sua família, e fez desta música um apelo a “Bom Velhinho” por sua felicidade.

Diz o compositor que quando anoitece, o sino geme, nós rezamos, e Papai Noel não vem…

Gostaria de convidar você a ter mais atenção na letra dessa música e refletir um pouco mais sobre o tempo da felicidade em sua vida.

O apelo comercial e a insistência em fazer do “bom velhinho” uma razão para o Natal existir, faz dele uma nuvem que dispersa a manjedoura do Cristo. Faz dele uma ironia elegante e gentil…

Assim como Valente, muitas pessoas ficam extremamente tristes nesta época do ano, talvez porque lembrem que a “felicidade” de Papai Noel só dura alguns dias. Reconhecem que muitos, só são solidários no Natal para mascarar a falta de solidariedade durante todo o resto do ano. Conhecem no seu secreto, que o “Noel” de muitos é para poucos.

As pessoas fazem do “gorducho de barba branca” um arquétipo da sua “boa mentira”. Bem diferente do tal Nicolau Taumaturgo, arcebispo ortodoxo de Mira no século IV, que morreu faz tempo.

Poucos dão atenção sobre a maneira como as crianças descobrem que “Noel” não existe… Que decepção com os “adultos”… Os pequenos descobrem mais tarde que mentir é possível, normal e aceitável, e que mentira é algo comum na família, na escola, na sociedade…

Recentemente, uma professora de uma escola inglesa foi demitida  quando contou a seus alunos, de 9 e 10 anos, que o Papai Noel não existe. Ela trabalhava na escola Boldmere Junior School, em Sutton Coldfield, na Inglaterra, e disse na ocasião: “Todos vocês são suficientemente velhos para saber que não existe Papai Noel. Se perguntarem a seus pais, eles dirão a vocês…”.

O absurdo foi que os pais ficaram tão furiosos com a atitude da professora que reagiram duramente contra ela! Tudo pela “magia” do Natal… Até a escola demitir a educadora.

Bem, lembra-nos Assis Valente em sua canção: “Já faz tempo que pedi, mas o meu Papai Noel não vem, com certeza já morreu, ou então felicidade é brinquedo que não tem…”.

Convido a você nesse Natal a descobrir o cheiro do estábulo, a rudez da manjedoura e o caminho singular conduzido pela criança…

De fato, a felicidade não está no saco de “Noel”. A Paz que é loucura para muitos, pode ser partilhada diante do mistério do Menino da manjedoura querendo guiar pela mão a cada um de nós. Ele faz novas todas as coisas!

Já o Assis Valente não era uma pessoa feliz. Curiosamente, tentou o suicídio atirando-se do Corcovado e milagrosamente ficou preso numa árvore, 70 metros abaixo. Fraturou duas costelas e teve contusões e escoriações generalizadas. Tentou o suicídio por mais três vezes, tentando se jogar de uma janela, cortando os pulsos e tomando guaraná com formicida numa praça pública, sua última e bem-sucedida tentativa. Esqueceu de ver que o Menino da manjedoura estava de braços abertos para ele desde o início…

É fato. Papai Noel não vem…  Mas calma! Lembrei do profeta Isaías, que 700 anos antes do nascimento do Nazareno disse algo sobre Ele com essas palavras: “O leão se deitará com o cordeiro, e o leopardo com o cabritinho, e um menino pequeno os guiará!” (Isa.11:6-7).

Segure na mão do Menino!

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