Perfeccionismo – ingrata virtude

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Voltaire disse, certa vez, que “a perfeição é alcançada a partir de pequenos e calmos passos. Requer, sobretudo, a mão do tempo”. Certamente, a busca pela perfeição e o desejo da tranquilidade plena são incompatíveis e conflitantes. Sempre queremos resolver rápido e da melhor maneira aquilo que pode ser mais primoroso do que o que temos no presente, e isso parece nos encaixar numa batalha perdida.

Muitos de nós, deixamos de estar felizes e gratos pelo que conquistamos, para nos fixarmos no desejo de reparar o que está torto e incompleto. Entretanto, parece que quando por certo atingimos a “perfeição” ficamos insatisfeitos.

Ser perfeccionista é possivelmente ter uma ingrata virtude, pois a prática desta tem levado, na historia da humanidade, pessoas imperfeitas à frustração. Por não saberem lidar com o limite, tornam-se pessoas descontentes consigo e com os outros, durante muito tempo.

 

“Essa ênfase na perfeição pessoal e perfeição alheia é um grande anteparado para o alcance dos objetivos das relações. A simpatia e a gentileza ficam aquém do necessário para paz”.

 

Seja um guarda-roupa desarrumado, um ambiente de trabalho desorganizado, um sapato apertado, uma tarefa mal feita, uma “gordurinha” a mais ou a menos, ou uma orelha meio torta, tudo isso pode tirar a paz de muitos perfeccionistas, durante anos.

Existem, também, as dificuldades com as imperfeições dos outros. O incômodo com suas vidas e a vontade de “consertá-las”, tudo pela necessidade de ver tudo “certinho” na vida deles. Para o líder, essa ênfase na perfeição pessoal e perfeição alheia é um grande anteparado para o alcance dos objetivos das relações. A simpatia e a gentileza ficam aquém do necessário para paz.

Bem, contudo, não devemos nunca afirmar que precisamos deixar de fazer o melhor que podemos, de buscar a melhoria pessoal e de galgarmos a excelência na vida. Entretanto, a melhor estratégia a ser adotada nesses casos, porventura será desviar o olhar excessivo das coisas imperfeitas da vida. Se levarmos em conta a “mão do tempo” aprenderemos que é possível apreciar a maneira como as coisas são no momento presente, até que os “pequenos passos” nos levem à perfeição.

Assim, o grande desafio do perfeccionista é lembrar, com tranquilidade, que a vida pode estar bem, como está agora, pois poderia estar pior. Arrefecer o julgamento perfeccionista pode mudar tudo. Se a obsessão pela perfeição em todas as áreas da vida se acalma, cria-se a tranquilidade para descobrir que a perfeição acontece nas coisas mais simples da vida.

Experimentemos!

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